Domingo, 15 de Março de 2009

D. Pedro I, infante de Portugal, era filho do rei D. Afonso IV e de D. Beatriz de Castela.
Em criança foi-lhe prometido casamento com a princesa D. Branca, filha do Infante D. Pedro de Castela, prima do rei Afonso XI e neta de Sancho IV de Castela e D. Maria Molina. Era um casamento político que acabou por não se consumar, pois a jovem D. Branca, aos 14 anos, mostrava-se tão fraca e doente que o Infante se recusou a casar com ela.
Terminado este triste episódio, D. Afonso IV voltou de novo a tentar arranjar- lhe noiva, escolhendo D. Constança Manoel, filha do grande fidalgo D. Joao Manoel, cronista e poeta, senhor de várias vilas e castelos. Depois de tempos atribulados e de muitas intrigas pelo meio conseguiu-se enfim concretizar o casamento, entrando em Portugal D. Constança, com as honrarias devidas a um descendente dos reis de Castela, Leão e Aragão.
Ao Infante, no entanto, não agradou muito este enlace, pois queria ter sido ele a escolher noiva.
Este casamento por conveniência levou a que o Infante se afastasse da esposa, passando os dias a folgar e caçar nas terras de Touguia.
A vida de D. Pedro continuava assim afogada em excessos até que um dia seus olhos pousaram na dama de companhia de D. Constança que o entonteceram de tal maneira que pensou em nunca mais a abandonar.
O escândalo tomou tais proporções que a esposa , D. Constança, resolveu convidar D. Inês para madrinha do filho que tinha no ventre pois considerava que este parentesco espiritual os afastaria.
Porém, tal decisão não teve a eficácia necessária, pois D. Pedro, de carácter extremamente apaixonado e arrebatado, não vergava a nada que impedisse a concretização dessa paixão.
O    seu amor excedeu de tal modo que o escândalo estalou na corte e o rei D.Afonso IV forçou a amante do filho a sair do país. Inês escondeu-se no castelo de Albuquerque, próximo da fronteira portuguesa, situado no alto de uma escarpa, a poucos quilómetros do Alentejo.
Fora construído por D. Afonso Sanches, filho bastardo de D. Dinis e familiar de D. Inês, pois aí tinha sido criada pela tia D. Teresa de Alburquerque, desde tenra idade.
Foi no entanto, uma afronta a D. Afonso IV que sempre odiou esse irmão bastardo, a quem culpava das desavenças tidas com o pai, o rei D. Dinis.
Entretanto, nem a distancia foi obstáculo aos dois amantes, visto que continuaram a corresponder-se por intermédio de várias pessoas.
Em 1354, D. Constança morre ao dar à luz o terceiro filho. D. Pedro fica então liberto para ir buscar a sua amada. Preso como estava a um casamento que não procurara nem queria, viu na morte da esposa a sua libertação.
Logo a seguir à morte da sua esposa, D. Pedro traz D. Inês para Portugal e leva-a para as terras da Lourinhã que eram muito do seu agrado. Instala-a numa quinta em Moledo, nas proximidades do Paço da Serra, onde ele passava os seus tempos de lazer. Viveram separados algum tempo e depois juntos, quer nesta duas localidades, quer em Touguia.
Foram tempos felizes, apesar dos murmúrios do povo, que não via com bons olhos a espanhola. Consideravam que a formosa dama era uma filha bastarda do poderoso fidalgo galego Pedro Fernandez de Castro e os seus irmãos, Álvaro Pires de Castro e Fernando de Castro não escondiam as suas ambições em relação ao poder. Seguindo em Castela o partido do senhor de Alburquerque, que se colocara contra o soberano castelhano, contribuíram para a má relação entre Portugal e Castela. Ambicionando submeter à sua influência os dois reinos peninsulares. Conseguiram que D. Pedro se declarasse pretendente às coroas de Leão e Castela, o que deixou D. Afonso IV desgostoso, pois queria Portugal independente e neutral das lutas castelhanas.
Por outro lado, Afonso IV via com apreensão a existência dos filhos bastardos de D. Pedro, que considerava de mau prenúncio para a paz interna do pais.
Esta agudizou-se com o aparecimento da "peste" que apavorava toda a gente. Então, os mais medrosos, diziam ser um "mau olhado" e culpavam D. Inês de todo o mal.
O reino até então próspero, começa a empobrecer e o medo invade as populações. D. Afonso IV, para minimizar a crise, publica e faz cumprir as "Leis do Trabalho', mas a situação continuava difícil e sem solução à vista. Os campos que tinham sido férteis, encontravam-se abandonados e as populações apavoradas com a peste, fogem sem destino.
Neste clima, D. Pedro resolve partir com D. Inês e leva-a para os arredores do Porto, para Canidelo, onde a instala com todas as honras e comodidades.
Entretanto o descontentamento aumenta à medida que o escândalo dos amores prossegue. Os conselheiros falam que D. Pedro está dominado pelos irmãos de Inês e a sua amizade torna-se cada vez mais preocupante – facto comprovado por várias doações e nomeações feitas àquela família, tendo chegado Álvaro Pires de Castro a Condestável do Reino. A desconfiança alastra e o ódio aos Castros também.
Tempos depois, já os dois amantes não estão em Canidelo, mas em Coimbra, numa quinta próxima do Mosteiro de Santa Clara, o que foi muito mal aceite pelo povo, que não via com bons olhos aqueles amores adúlteros, principalmente por se passarem junto ao Convento de Santa Clara, onde a bondosa rainha D. Isabel de Aragão vivera e se tornara santa. Mas a eles nada importava senão o seu amor...
Os notáveis do reino temiam cada vez mais a poderosa influência dos Castros e insistem com o rei que a única solução é acabar com a vida de Inês.
Os conselheiros Pedro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco pressentiram o perigo e temiam que os intriguistas e ambiciosos irmãos da espanhola levassem D. Pedro a ser um mau rei e receavam pela vida do pequeno Infante D. Fernando, o filho legitimo de D. Pedro e D. Constança e futuro rei de Portugal. Nos primeiros dias de Janeiro de 1355 planeiam a morte de Inês no Castelo de Montemor-o-Velho e pedem ao rei a sua anuência.
O rei ficou dividido entre as razões do Estado e o sentimento familiar. Acaba por vencer a razão do Estado... e assim, no dia 7 de Janeiro desse mesmo ano, D. Afonso IV mete-se a caminho de Coimbra, acompanhado de gente armada, para matar a adúltera.
Conta-se que um facto estranho se passou em Coimbra nessa triste madrugada... Antes da partida de D. Pedro para a caça, algo aconteceu: foi um pressentimento do que iria suceder. Quando o Infante e os seus homens se preparavam para sair, um velho cão negro, de aspecto feroz, destacou-se da matilha e enfurecido por qualquer força estranha, correu em direcção a Inês. A fera estava horrível, com um brilho demoníaco nos olhos, a boca a espumar, os dentes a brilhar, pronta a atacar...
O príncipe e os seus homens ficaram petrificados, mas de repente, D. Pedro, decidido, avançou com a espada e de um só golpe degolou a fera, que veio a cair cambaleante aos pés de Inês salpicando-lhe o traje de gotas de sangue. Um pavor supersticioso gelou o ambiente... D. Inês ficou só... e um grande temor a inundou. Ao menor barulho o coração tremia como que adivinhasse a tragédia.
E ela iria consumar­-se. O rei D. Afonso IV e os seus conselheiros entram no paço e apesar das súplicas da “mísera e mesquinha” a tragédia desenrola-se... não sem que o rei hesite, angustiado, perante a fragilidade da dama e os choros das crianças... Inês é finalmente assassinada.
Após o assassínio, D. Inês foi levada para a igreja de Santa Clara e foi enterrada no dia 7 de Janeiro de 1355. Estava consumada a tragédia...
Ao ter conhecimento do bárbaro feito, a reacção de D. Pedro foi violenta: levantou um exército contra o rei, seu pai e entre os seus apoiantes. D. Afonso IV marchou para o norte à frente das suas tropas e só a intervenção da rainha D. Beatriz, D. Pedro assinou a paz com o pai.
Em 1357 morreu D. Afonso IV e D. Pedro subiu finalmente subiu ao trono. Este procurou de imediato reaver os assassinos de D. Inês que se encontravam refugiados em Castela. Graças a um contrato com o primo D. Pedro de Castela, D. Pedro I, conseguiu a extradição de Pedro Coelho e Álvaro Gonçalves, já que Diogo Lopes Pacheco conseguira fugir a tempo para Aragão e posteriormente para França.
Foram entregues ao rei, em Santarém. Este, desejoso de vingança, mandou tirar o coração pelo peito a Pero Coelho e pelas costas a Álvaro Gonçalves. Depois, reza a história, não contente com isso pediu que lhe trouxessem cebola e vinagre e segundo a lenda teria trincado os corações.
Entretanto, D. Pedro mandou construir um belo túmulo destinado a recolher os restos mortais daquela que, segundo afirmou, fora sua esposa e que queria dignificada depois da morte.


publicado por amaltinhadealcobaca às 18:08
Este blog foi criado no âmbito do Concurso Inês de Castro promovido pelo Plano Nacional de Leitura e pea fundação Inês de Castro.
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